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Rafael Fernandes


Uma obra que conquista filósofos, cientistas políticos e historiadores é a junção de textos para ensino oral instituída por Aristóteles que leva o nome de “Política”, apesar dos erros de interpretação cometidos pelos tradutores e pela falta de algumas partes da obra em si, ela nos leva a ponderação do mundo em que vivemos explicando o porquê do homem ser por natureza um ser político.

Os seres humanos se unem de forma natural. Em um primeiro momento forma-se um grupo pequeno chamado família, que é a forma mais natural de união entre os homens. Após, pela necessidade de sobrevivência, essas famílias antes distantes procuram aproximar-se formando aldeias, nelas os homens criam tarefas, costumes e crenças, compartilhando-as. Nas aldeias os deuses governavam: “Eles imaginam os deuses segundo a própria imagem, e do mesmo modo atribuem a eles o seu próprio modo de vida”. (ARISTOTELES, p. 56)

A partir do período que ocorre a união das aldeias, surge a comunidade, originando a Polis (cidade-estado), onde o homem tem como objetivo primeiro a sobrevivência, mas logo a cidade dá mais do que sobrevivência, fornece conforto. Completando, o pensador diz que o homem que convive em sociedade, atingiu seu completo desenvolvimento.

Desse modo afirma: a cidade é uma criação da natureza, que por sua excelência uniu os homens que possuem a razão e o dom do discurso (Lógos) levando-os a serem superiores aos outros animais,

“Com efeito, é isso o que distingue essencialmente o homem dos outros animais: Discernir o bem e o mal, o justo e o injusto, e outros sentimentos dessa ordem. Ora é precisamente a comunicação desses sentimentos o que engendra a família e a cidade.”.

Dessarte, o homem que não necessita viver em sociedade é um deus ou um ser errante, e esses que vivem desconexos com o restante habitam na (in)justiça. Dessa forma, torna-se a cidade o lugar mais natural e essencial para os homens sobreviverem, dividir tarefas, controlar e vigiar os membros da sociedade, a qual existem os que naturalmente mandam e os que obedecem, sendo os senhores possuidores do poder de controle e os escravos, mulheres e crianças os comandados.

Na cidade a administração e controle do corpo faz a justiça, o que possibilita a convivência pacifica, controlando as armas naturalmente dispostas ao homem, e deixando aquele estado de guerra que o homem vivenciava.

Aristóteles afirma que a divisão de senhores e escravos é natural, uma condição necessária para manter os homens em sintonia, o senhor precisa de tempo para exercer o pensamento e o escravo necessita do senhor para sobreviver (alimentar-se). Pode-se concordar em vários pontos com o pensamento de Aristóteles, pois a divisão entre os homens é natural, não é possível todos serem iguais.O que houve foi uma mudança de conceitos, agora existem classes sociais.

Ademais, nos capítulos que seguem o Pensador reafirma a ideia dos escravos serem necessários e extremamente uteis na sociedade, comparando-os com animais domesticados que são fáceis de controlar, já os senhores são animais selvagens difíceis de controlar e possuem algo melhor do que só a força física para oferecer à sociedade, por isso se sobressaem perante os outros.

Neste sentido, ainda explica a diferença de superioridades [da alma e do corpo], na qual a aparência engana os olhos, um homem pode ter a mente de um homem livre, mas ter aparência de um escravo e por este motivo exercer a escravidão, ou em outra situação, ter a aparência de um senhor e a mente de um escravo. Trazendo para a atualidade, essa situação de confusão de superioridade é mais nítida, a beleza embaraça a consciência dos seres humanos, levando-os a paixão exacerbada.

Rafael Gonçalves Fernandes é graduando do curso de Direito nas faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba.

Referências bibliográficas:

ARISTOTELES, A Política. Coleção A obra Prima de cada autor, editora Martin Claret.

WOLFF, Francis. Aristóteles e a política. São Paulo: Discurso Editorial, 1999, 154p. ISBN: 8586590118

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